(Inspirado na obra de Manisa Salambote Clarvert "Da Densa Floresta de Onde Menino Entrei, Homem Saí", um conhecido que 'nos deixou' há pouco tempo)
Naquela sonolência que assolava minha consciência, vi o véu da noite esvoaçar sobre minha cabeça. Naquele momento me senti um ser alado, mesmo trancado naquele quarto, de onde menino entrei, homem saí, me permitir voar.
Depois do meu voou já não havia mais sonolência, e o véu que esvoaçava sobre minha altura, já não era mais o mesmo, agora era o véu da vida, da justiça e da liberdade, mas já era um véu pesado, uma montanha sobre meus alicerces, que ainda eram frágeis. Não pude suportar seu peso, me rasguei aos prantos, me afoguei nas dúvidas, desejei minha crucificação.
Então retornei para o meu quarto, o quarto da minha metamorfose, da morte de minha inocência e nascimento de minhas responsabilidades. Retornei para onde menino entrei e homem saí. E ao sair novamente de lá, já não sabia se eu era grande ou era criança.

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